Resoluções de Ano Novo (Que na verdade eu só formulei agora pro dia vinte mesmo)

By Rômulo

Mudar-me de república.
Eu costumo gostar de coisas um tanto estranhas, mas a minha república não se inclui de modo algum nisso. Não que a gente tenha gaiolas onde mantemos criancinhas eslavas e cachorros yorkshire se digladiando até apenas que um saia vivo. Não, nada disso. Existem até coisas bem comuns, como por exemplo uma cozinha bagunçada e coisas jogadas por aí.

Mas as semelhanças com uma república normal param por aí (Quer dizer, mesmo a pilha de panelas aglomeradas por uma semana na pia é um pouco mais cheia de fungos do que deveria ser). O que é bizarro mesmo na república são os moradores.

Em ordem do mais, pro menos normal, começamos pelo cara que divide o quarto comigo: 19 anos (mas com cara de quase 30, juro), fuma feito uma chaminé desregulada, bebe excessivamente e ocasionalmente dá um tapa na pantera. Trabalha como garçom.

Seu irmão, que curiosamente mora em um quarto individual (maldito), 26 anos, acho, fuma feito uma chaminé desregulada, bebe excessivamente e ocasionalmente dá um tapa na pantera. Trabalha como cozinheiro. Não é no mesmo restaurante do irmão. Aliás, não sei por que sempre me perguntam isso.

Um sujeito que “presta serviços” para uma empresa cujo nome eu não lembro. Não bebe, não fuma, não dá tapa em panteras e costuma fazer uns tira-gostos que eu costumo filar. Não mora exatamente lá na república. na verdade ele é casado, tem filhos e mora em outra cidade, só que o trabalho dele é requer que ele passe as noites por lá. Deve ter uns 50 e poucos anos.

Um eletricista. Torcedor fanático do cruzeiro, gordinho, sempre visto com uma latinha de cerveja na mão. Sua parte na geladeira, na verdade, é repleta inteiramente de cervejas. Não sei nada além disso sobre esse cara. Aparenta ser um quarentão.

O último é um velhote, provavelmente com quase 70 anos. Não sei o que faz da vida. Sai de casa de manhã e volta de noitão, se tranca no quarto, fim da história. Nunca vi receber visita de ninguém. Creio que seja uma bicha velha. Sério.

Ah, e tem Eu, 18 anos, estudante de direito. Desesperado pra fugir dali.

Começar uma coleção de canecas
Bom, isso é mais uma promessa. Se eu conseguir me mudar daquele lugar, começo uma coleção de canecas. Na verdade, tenho até uma escalada pra ser a primeira, que eu venho namorando tem tempo, na vitrine de uma cafeteria. Custa dezesseis reais. Nunca que eu deixo uma caneca de dezesseis reais naquela pocilga que eu moro.

Conseguir ler e entender textos em Francês
Pelo menos, vá lá.

Manter o Ritmo na Faculdade
Apesar do excesso de bebida alcóolica no primeiro período, foram definitivamente as minhas melhores notas desde a quarta série, quando eu ainda era o melhor aluno da sala.

Começar a Praticar Atividades Físicas
Taí algo que eu nunca pensaria por numa lista de resoluções de ano novo, mas a gente tem que se adaptar a realidade. Ao chegar aqui na província, alguns amigos me alertaram que eu estava criando uma barriguinha de cerveja. Não que eu não queira ter uma, mas só depois dos 30, quando ela é sinal de respeito.

Diminuir meus padrões de qualidade
Eu vou tocar com uma banda no carnaval (É, de pop rock, reggae e axé. Pode parar de rir agora) em alguns distritos daqui. O fato é que aqui no centro da província o material feminino já não é lá de muita beleza.

(E além disso se superestima, uma mulher com a arcada dentária completa por aqui já se acha A Garrafa de Bohemia Gelada no meio do deserto)

Então eu imagino como vai ser nos buracos que a gente vai tocar. Mas como eu planejo tocar pelo menos um pouquinho bêbado, espero ser de boa.

Ter uma Vida Social Saudável
Está nas minhas resoluções de ano novo todos os anos.

E por último, mas não menos importante
Reunir uma equipe de cientistas e dar um jeito de diminuir as rotações da Terra fazendo o dia durar 36 horas. Simultaneamente, reunir pessoas o bastante para fazer manifestações para que não seja expandida a carga horária de trabalho ou estudo, criando assim mais tempo livre para cultura, diversão e encher a cara. Em terceiro lugar, registrar a patente da expressão “36 horas” e viver confortavelmente as custas dos royalties das antigas rede 24 horas.

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Uma resposta para “Resoluções de Ano Novo (Que na verdade eu só formulei agora pro dia vinte mesmo)”

  1. Mari Disse:

    êê, romão voltou com o blog \o/!

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